Grandes ou pequenas cidades?
Após a dispersão dos cursos superiores de Design para zonas geograficamente mais afastadas de Lisboa e Porto, continuará a haver vantagens de peso em frequentar cursos nestes locais?
Ou a dispersão do conhecimento não acompanha a dos cursos?
Ou a dispersão do conhecimento não acompanha a dos cursos?

12 Comments:
Depende. Qual e o conhecimento de que se fala? É que for o conhecimento do público em geral em relação ao design, penso que se ele já é relativamente reduzido nas grandes cidades, fora delas ainda menos...
E também penso que não se trata propriamente de uma dispersão do ensino superior em design, mas de uma expansão. Seja como for, acho que a única razão de peso para frequentar um curso em lisboa ou no porto seria a qualidade - mas essa não se prende necessariamente com a localização geográfica...
Num país tão "piquenino" como o nosso falar de dispersão, parece-me, que será exagero. Continuamos a achar que para lá da nossa rua já é o fim do mundo.
A "descentralização" é alargar o conhecimento a outras paragens. Se houvesse uma escola de Design em Paços de Ferreira, talvez assim alguns empresários da indústria do mobiliário, compreendessem que esta disciplina é uma das mais importantes ferramentas do seu negócio.
Assim, por cá vamos andando
Não se trata do conhecimento do público em relação ao design. Isso é outra discussão.
Aqui procuro discutir o conhecimento do ponto de vista do estudante do design. O acesso é diferente se tivermos em Lisboa ou em Portalegre. São ambas localidades onde existem cursos superiores na área, mas a existência ou não de infra-estruturas, de acontecimentos, de presenças pode determinar ou não o seu nível de importância.
Aliado a isto, a qualidade é uma questão geográfica. Será que os melhores professores - a existirem - não preferem as grandes cidades?
Então poderíamos estar a falar de qualquer outro curso que não os de Design. Por mais eventos pontuais que existam fora dos grandes centros, nestes há-de haver sempre mais, além das infra-estruturas permanentes. Mas a presença destas não quer dizer que as pessoas usufruam delas, e que quem não as tem ao virar da esquina não as procure mais. Tinha colegas no 5ºano que não sabiam o que era a cinemateca, e são 5 minutos de metro da faculdade até lá.
Quanto aos professores, não sei se os melhores preferem as grandes cidades, mas sim aqueles que querem o que as grandes cidades lhes oferecem. Quem sabe se o melhor professor não prefere o que outros locais lhe têm para oferecer.
Julgo que os cursos de design foram das grandes cidades (Lisboa e Porto) fazem sentido se for em cidades que tenham instaladas actividades industriais bem desenvolvidas, em que os licenciados possam facilmente integrar os quadros dessas indústrias nos departamentos de design.
Vantagem ainda para uma maior divulgação e consciencialização de uma cultura do design.
Será problemático se existirem dispersões grandes entre a qualidade do ensino do design das grandes cidades e das pequenas ou médias cidades.
Sou definitivamente da opinião anterior: …"não se trata de dispersão geográfica do Ensino do Design mas sim de Expansão do Design".
O conhecimento ganha indubitavelmente forma ou volume se o partilhar-mos e o divulgar-mos abertamente. Embora às vezes seja inerente e primordial filtra-lo na medida certa…
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Designer
Vítor Tavares
Não estou em posição de opinar em relação à preferência dos melhores professores pelas grandes cidades mas...parece-me que, dado que o interior continua a desertificar, todas as pessoas perferem as grandes cidades. Talvez pela ilusão que se tem, que nelas existem mais oportunidades, mais acontecimentos relacionados e mais emprego...
Do ponto de vista de aluna de Portalegre que sou, e também porque aqui nasci e vivi toda a minha vida, penso que posso falar daquilo que sinto na pele.
Sempre tive o bichinho do design dentro de mim...e como é que eu sei isso? Porque sempre senti a necessidade de solucionar problemas de forma criactiva para a vida prática. Não me refiro só aos pequenos problemas mas também às grandes causas.
Digam-me lá se o design não é isto?
Os problemas causados pela interiordade são vastos.
Prendem-se com:
A educação familiar; no meu caso, cresci numa família muito tradicional, de pessoas simples ligadas à terra, cujas prioridades são o pão e a família. No seio de uma família como estas o acesso à informação é nulo. Esta família não estava preparada para me ajudar aconselhar na escolha profissional.
O ensino; ensino no interior está repleto dos mesmos lobys existentes em todo o país, mas em cidades mais pequenas sentem-se mais cedo e mais intensamente. Posso garantir que a minha formação em relação ao design na escola secundária foi zerinho...
O conhecimento; no interior este aspecto conta com a determinação da pessoa em procurar a informação. Em Portalegre, com duas livrarias viradas para os best-selles de há dois anos atráz ou com uma biblioteca, com pouco material de pesquisa (e que não foi actualizada mesmo depois da abertura do curso de design), esta tarefa é quase impossível. Resta sempre a deslocação a Lisboa para procurar a dita informação. Mas onde procurar?, o que escolher numa livraria? Por onde se deve começar?
O factor humano; quando se é jovem espera-se das pessoas mais experientes uma orientação capaz. Não havendo modelos fortes de orientação pode cair-se em erros, por vezes irremediáveis nas escolhas.
Assim o que faz uma pessoa que tem o bichinho do design dentro?
Dada a minha condição pessoal e familiar, seria para mim impossível frequentar um curso de design em Lisboa. Por isso agradeço a abertura do curso na minha cidade. Porque senão morreria frustrada com o bichinho a roer.
Sobre este assunto tenho muito mais a dizer...
30% dos meus professores de design dão de Portalegre, pior, alguns são da minha geração, pelo que tiveram tempo para realizar um curso superior noutra cidade e passaram de seguida à profissão de professores, conciliando com isto a realização de mestrados. A inesitência da experiência profissional na área do design pode, influenciar a passagem dos conhecimentos. Alguns destes professores são meus amigos ou conhecidos, acompenhei o seu percurso na sua aquisição dos conhecimentos que me vão ser passados.
Sei de certeza que se criticar fundadamente o trabalho do sr. Cayatte perante alguns professores de Portalegre, posso correr o risco de chumbar a cadeira. Isto acontece em Lisboa?
Sei de certeza que poucos alunos, meus colegas, sabem quem é o sr. Cayatte. Isto acontece em Lisboa?
Sei de certeza que os poucos alunos, meus colegas, que sabem quem é o sr. Cayatte, e não se deram ao trabalho de pesquisar sobre os seu trabalho, ficarão com a impressão transmitida pelos meus professores.Isto acontece em Lisboa?
Isto será bom?
Sónia, acho que as tuas questões são bastante pertinentes e não fogem muito à verdade, de facto a maior parte dos alunos de Design não sabe quem é o Cayatte e pior ainda não têm o “designer preferido”, o que é grave....
Sou professora de Design, tb já fui aluna de Design ... actualmente sou novamente aluna (doutoramento). A cresci numa pequena vila portuguesa como tantas outras, depois fui para Lisboa, depois para o Porto, NY e hoje estou em Londres(atenção, vindo de família de classe média) ... testei vários locais, escolas, amigos... enfim, o que tenho a dizer é:
- Portugal é muito pequeno por isso, não se justifica este tipo de discussão, ainda mais hoje com a internet, auto-estradas...
- o que aprendi na escola não foi o que sei hoje, embora, os professores adorem ter alunos interessados e curiosos e não criaturas a quem se tenha de suplicar para trabalharem
- cresci numa vila e numa altura em que não existia internet, no entanto, a televisão (Vasco Granja, Conan, Tiwn Peaks, Pop Off...), a musica, o clube de vídeo, a casa de jogos e os livros que li foram suficientes para nunca me sentir isolada.
- conclusão, o pessoal tem uma tendência inata para falar muito e fazer pouco, para achar que sabe muito (e nem os Maias leu, preferiu ler o resumo do livro uns dias antes do exame...), pouca consciência de que com só com muito trabalho se atinge algum conhecimento
ou se é curioso, activo e vivo ou não se é...
e ser criativo tb passa por saber tirar proveito de todas as situações, quer seja em Lisboa, no Porto, St António dos Cavaleiros, Portalegre...
tambem acho que isto não tem grande discussão o essencial aqui nao é catalogar a qualidade pela posição geografica mas sim o que a "Kiss" disse. Cá em portugal as pessoas contentam-se com o mediano, e muitas vezes pior que nao saber quem é este ou aquele, ou nao ter um designer preferido (que nao tenho) é não saberem como se fabrica o papel, como a tinha reage nos suportes diferentes, processos de impressão etc. Aqui formam-se pessoas que fazem bonecos, o que é frustrante por vezes. É impressionante como para tirar um mestrado decente vou ter de trabalhar a serio para ir para Londres porque os de cá... Jesus...
Licenciatura em Design - Departamento de Comunicação e Arte, Universidade de Aveiro // Já deixei a minha opinião (positiva)
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